Desafio 90 km caminho do sal

Sábado, dia 2/12 rolou o desafio 90 km caminho do sal, promovido pelo Audax ABC Randonneurs.
Fui eu e o Vinicius (Dinâmica bicicletas) e salvos pelo Max, que ia participar, mas esqueceu q trabalhava no dia (vacilão), mas mesmo assim, nos levou. De qualquer modo, muy agradecido pelo apoio. Depois a gente acerta as contas da gasolina e multas.

A largada

Às nove e com chuva. O primeiro trecho até Paranapiacaba foi com muita pedra, muita mesmo. Após 8-10 km rodados, nos deparamos com dois ciclistas voltando, dizendo para nós tomarmos cuidado com a próxima subida, pois o amigo deles caiu com a bike e quebrou o pé. Que notícia tranquilizadora.

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Foi um trecho razoavelmente plano, o que acontecia era uns “dedo do meio” levantados no caminho – subidas curtas, íngremes e cobertas por pedras e lama. Essa primeira etapa dava uns 15 km até cair na estrada de asfalto que termina na cidade de Paranapiacaba e era só um trecho, para cruzar para o outro lado dela e dos trilhos de trem. Dentro da cidade era o primeiro PC, chegamos 11h35 e o horário limite era 11h30. Como era desafio, os organizadores não ligaram pra isso. Comemos e largamos novamente rumo ao outro PC. Vinicius me acompanhou nos primeiros 25 km de prova e teve que abandonar em Paranapiacaba, a relação da recém montada bike não estava adequada pro trajeto, ficou muito pesada e precisava ao menos de uns 10 dentes mais leve. A minha também não, mas ao menos a situação não era tão tensa. A relação mais leve que eu tinha era 36-32.

Após a separação

Se o cenário até então era pedra e lama, o que vinha pela frente era pura lama e alguns trechos de cascalho. Logo após sair da cidade, subi um bocado – e depois desci muito mais que subi e já me veio à mente que faria o mesmo trajeto na volta.
Para dar um pouco mais de adrenalina em tudo, a organização colocou um “atalho” de 800 metros de singletrack intransitáveis. Ou carregava no ombro ou ia pelas piscinas de lama mesmo. Optei pela segunda opção, não ia correr o risco de cair com a bicicleta por uma pisada mal encaixada. Depois disso, desce, desce e desce (e o desespero pela volta sobe, sobe e sobe). Depois que cheguei na base do trajeto, rolou um trecho plano até chegar no PC2. cheguei lá com o tempo estourado tbm, porém menor, mas a moça que controlava os passaportes disse que se chegasse antes das 18h20, brevetaria igual. Fiz as contas na cabeça, a ida foi com total de 5h15 e eu tinha 4h20 pra fazer o caminho de volta. Brilhante.

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A volta foi aquele desespero de subida e de economizar tempo. foi duro demais as subidas, mas consegui fazê-las. Um trecho ou outro empurrei, mas não por falta de força nas pernas, mas alguma coisa errada com o fit da bicicleta (guidão, mesa e altura da frente), que fez crescer uma dor contínua na lombar.
Com a memória do terreno na ida, consegui ganhar muito tempo aproveitando cada fase que eu sabia que podia “socar a bota” e assim acabei chegando de volta em paranapiacaba (com o tempo estourado ainda). Depois que saí do último PC, foi onde que vi que daria para recuperar nos últimos 25 km de volta, então não dei muito mole.
Tentei acertar qual marcha/cadência daria para manter nesse trecho de pedra/plano e fui o mais rápido que deu e a esta altura, parei de olhar o relógio. eu até cogitei subir pedalando os “dedos do meio” como tinha feito na ida, mas imaginei que seria mais desgaste físico desnecessário do que economizar tempo, então empurrei em quase todas. Nessa parte do trajeto, deparei com um comboio de jipes e junto deles, tinha um Hummer militar…aquilo parece um tanque de guerra. A ansiedade foi crescendo para terminar, pois ainda tinha um problema a resolver quando acabasse a prova, que era arrumar um meio pra voltar pra casa.
Cheguei no asfalto dos últimos 3 km antes do final da prova, botando 32-34 km/h com os 27,5 x 2.1 com umas 30 libras. Estava com o cão no couro e desse jeito, acabou a prova mais sinistra que já participei.
No final das contas, consegui chegar com 40 minutos de sobra antes do tempo limite.

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Aprendizado

É o segundo longa distância que fiz com gravel. O primeiro foi no sol escaldante do verão da Bahia, com muita costela de vaca eareia. Se lá os 90 km foram difíceis, este com chuva estabeleceu novos parâmetros. Mas as coisas que aprendi foram:
  • Ter usado 27,5 x 2.1 foi uma ótima escolha. Os pneus que o Vinicius rodou me surpreenderam pelo grip que tiveram, mas a bicicleta ficou muito dura, fazendo perder muito contato com o solo (e se fizesse o caminho todo, imagino as dores que ia causar);
  • Para fazer rotas como essa, é preciso melhorar a relação leve da bicicleta, para poder girar mais e forçar menos nas subidas. O mínimo adequado é 1:1;
  • Estou cogitando seriamente colocar um guidão drop mais largo e com flare se for para pedalar com mais frequência em locais assim;
  • Em uma prova como essa, com muita sujeira, é necessário levar ao menos um par de pastilhas de freio reserva. As minhas simplesmente acabaram!

 

Já ansioso por outra prova/rolê do gênero. Interessado em fazer a serra do Japi (perto de Jundiaí).

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2 respostas para “Desafio 90 km caminho do sal”

  1. Perfeito relato Zé, parabéns pela prova. Você acha que uma bike estilo salsa fargo seria mais eficaz para este tipo de terreno e de repente valeria mais para uma gravel pau pra toda obra? Abs

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    1. Uma salsa fargo teria feito com mais tranquilidade sem dúvida, por ser mais robusta e 29er. A minha fez muito bem, mas é necessário alguns ajustes, como os que mencionei no final do texto, aí vai que é uma maravilha

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